Quando o corpo sente antes da mente
- Rachel, Psicóloga
- há 11 minutos
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Há momentos em que algo parece mudar dentro de nós sem que exista uma explicação clara.
O coração acelera, o peito aperta, a respiração fica mais curta. Surge uma inquietação difícil de nomear. Quando tentamos entender o que está acontecendo, a sensação já está ali.
Nem sempre escolhemos aquilo que sentimos.
Durante muito tempo, imaginou-se que primeiro pensávamos e, depois, sentíamos. Hoje sabemos que essa experiência costuma ser mais complexa. Nosso cérebro é capaz de identificar sinais de ameaça ou de segurança antes mesmo que tenhamos consciência deles. Em outras palavras, o corpo pode reagir antes que a razão consiga organizar o que está acontecendo.
Talvez por isso seja tão comum ouvir alguém dizer: "Eu sei que não faz sentido sentir isso, mas continuo sentindo."
E, na verdade, faz sentido.
As emoções não surgiram para atrapalhar nossa vida. Elas fazem parte de um sistema sofisticado que nos ajuda a responder ao mundo. O medo pode nos proteger do perigo. A tristeza pode nos convidar a elaborar uma perda. A raiva pode sinalizar que um limite importante foi ultrapassado. Até mesmo a ansiedade, quando aparece de forma proporcional, prepara o organismo para enfrentar desafios.
Isso não significa que emoções intensas devam ser ignoradas ou romantizadas. Quando permanecem por muito tempo, provocam sofrimento ou começam a limitar a vida, elas deixam de cumprir sua função adaptativa e passam a merecer atenção.
Outro aspecto importante é que duas pessoas podem viver exatamente a mesma situação e experimentar emoções completamente diferentes. Isso acontece porque não reagimos apenas aos acontecimentos, mas também à nossa história, às experiências que acumulamos, às lembranças que carregamos e aos sentidos que atribuímos ao que vivemos.
Cada emoção encontra uma pessoa diferente.
Por isso, compreender o sofrimento humano exige mais do que identificar sintomas. Exige curiosidade para conhecer a história que acompanha aquela emoção.
Na psicoterapia, nem sempre o objetivo é fazer uma emoção desaparecer rapidamente. Muitas vezes, o primeiro passo é criar espaço para compreendê-la. Quando conseguimos reconhecer o que estamos sentindo, dar nome à experiência e entender o contexto em que ela surgiu, ela deixa de ser apenas algo que acontece conosco e passa a ser uma possibilidade de encontro com nós mesmos.
Sentir não é sinal de fraqueza.
É uma das formas pelas quais a vida psíquica nos comunica que algo merece ser olhado com mais cuidado.

